Doutorandos brasileiros interessados na bolsa CAPES PDSE 2027, o Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, entram na reta final da fase de seleção interna nas universidades, que encerra em 30 de setembro de 2026, conforme cronograma publicado pela CAPES no portal gov.br/capes. Esta é a etapa em que cada programa de pós-graduação escolhe internamente os candidatos que serão homologados na plataforma da CAPES, e a organização dos documentos e a qualidade do plano de trabalho no exterior fazem diferença decisiva. Este texto reúne o checklist completo e o cronograma seguinte da bolsa.

Sobre o PDSE

O Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) é uma modalidade de bolsa da CAPES que permite ao doutorando brasileiro passar entre 4 e 12 meses em instituição estrangeira, sob co-orientação de pesquisador do país anfitrião, com retorno obrigatório ao programa de origem no Brasil para defesa da tese. A bolsa cobre passagens, seguro-saúde e valor mensal de manutenção definido conforme o país de destino, com valores publicados pela CAPES.

O objetivo declarado do programa é contribuir para a formação de pesquisadores brasileiros com experiência internacional, ampliar redes de colaboração em pesquisa e fortalecer os programas de pós-graduação brasileiros. É uma das modalidades mais tradicionais da CAPES, com histórico de mais de duas décadas de aplicação, e tem sido um caminho relevante para doutorandos de todas as áreas do conhecimento.

Etapas da seleção

A seleção da bolsa PDSE 2027 tem duas fases principais:

  • Fase 1 (seleção interna): cada programa de pós-graduação da universidade brasileira faz seleção própria dos candidatos que serão homologados. Prazo para conclusão até 30 de setembro de 2026.
  • Fase 2 (homologação na CAPES): o programa de pós-graduação submete os candidatos aprovados na plataforma CAPES até data definida em edital, tipicamente entre outubro e novembro de 2026.
  • Divulgação de resultados: entre janeiro e março de 2027, conforme cronograma final publicado no portal gov.br/capes.
  • Início da bolsa: a partir de março ou abril de 2027, com data efetiva definida no cronograma pessoal do bolsista aprovado.

Checklist de documentos para a fase interna

  • Currículo Lattes atualizado com produção acadêmica dos últimos anos, indicando publicações, participação em eventos e projetos.
  • Plano de trabalho no exterior descrito em português, com objetivos, metodologia, cronograma detalhado, produtos esperados e articulação com a tese em desenvolvimento no Brasil.
  • Carta de aceite da instituição estrangeira assinada por pesquisador anfitrião, confirmando disposição de co-orientar o doutorando pelo período proposto.
  • Carta do orientador brasileiro apoiando a candidatura, com justificativa da contribuição da experiência internacional para a tese.
  • Comprovante de proficiência em idioma do país anfitrião, tipicamente IELTS, TOEFL ou equivalente para países de língua inglesa, DELE para Espanha, DALF para França, e assim por diante.
  • Histórico escolar do doutorado atualizado, com aproveitamento nas disciplinas cursadas.
  • Comprovante de matrícula ativa no programa de pós-graduação brasileiro.
  • Documento de qualificação aprovada, se exigido pelo edital local do programa (a maioria dos programas brasileiros exige qualificação antes de liberar o PDSE).

Dicas para o plano de trabalho

O plano de trabalho é frequentemente o item mais avaliado tanto na seleção interna quanto na homologação da CAPES, e é onde candidatos com produção equivalente podem se diferenciar. Boas práticas incluem apresentar o problema de pesquisa da tese em uma página inicial contextualizada, explicar de forma objetiva por que a instituição anfitriã escolhida é a melhor para o objetivo específico (equipamento, especialização do co-orientador, acesso a acervo, grupo de pesquisa consolidado), detalhar cronograma mensal com marcos parciais e indicar produtos esperados (artigos, capítulos, apresentações em congressos, contribuição para a tese).

Evitar planos genéricos do tipo "aprofundar pesquisa e ampliar rede acadêmica", que não indicam produtos concretos, e evitar cronogramas irrealistas com metas mensais que não seriam cumpríveis por doutorando algum. A comissão avaliadora tende a valorizar realismo e planejamento detalhado sobre promessas vagas.

Como se inscrever

A inscrição é feita em duas frentes. A candidatura interna acontece diretamente no programa de pós-graduação brasileiro do doutorando, com prazo, formulário e critérios definidos pela coordenação local, e é essa a fase que encerra em 30 de setembro de 2026. Depois de aprovado internamente, o candidato submete os documentos no sistema da CAPES em gov.br/capes, dentro do prazo estipulado pela plataforma para o edital 2027, tipicamente entre outubro e novembro de 2026.

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Perguntas frequentes

Quem pode se candidatar ao PDSE 2027?

Doutorandos matriculados em programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil reconhecidos pela CAPES, que já cursaram parte significativa dos créditos e, geralmente, já concluíram a qualificação. Cada programa de origem pode ter requisitos internos adicionais, e o edital local é a referência para verificar elegibilidade específica.

Qual a duração da bolsa PDSE?

Entre 4 e 12 meses, com data de início e fim definida pelo candidato em acordo com orientador brasileiro e co-orientador estrangeiro. O período precisa caber no calendário da tese e permitir retorno ao Brasil com tempo hábil para defesa.

Qual o valor da bolsa?

O valor mensal varia conforme o país de destino, com tabela publicada pela CAPES no portal gov.br/capes. Além do mensal, o programa cobre passagens de ida e volta em classe econômica, seguro-saúde e adicional de instalação. Valores exatos são atualizados periodicamente e a referência oficial é a tabela vigente no ano da bolsa.

Preciso ter aceite da universidade estrangeira antes de me inscrever?

Sim. A carta de aceite do pesquisador anfitrião, assinada e datada, é documento obrigatório na candidatura tanto interna quanto na CAPES. Sem ela, a inscrição não avança, e por isso vale iniciar o contato com o co-orientador estrangeiro com pelo menos três meses de antecedência em relação ao prazo interno de 30 de setembro de 2026.

Posso fazer PDSE sem apresentar qualificação?

Depende do programa brasileiro. A maioria exige qualificação aprovada como pré-requisito para liberação do PDSE, mas alguns programas aceitam candidatura de doutorandos ainda em fase pré-qualificação. Consultar a coordenação local é decisivo antes de iniciar o processo, para evitar frustração.

Depois de aprovado, o que vem

A aprovação na CAPES abre caminho para a fase operacional da bolsa, que inclui abertura de conta específica para recebimento dos valores, contratação de seguro-saúde, obtenção de visto de estudante no consulado do país anfitrião, planejamento de viagem e organização de moradia. O doutorando também precisa formalizar o afastamento no programa brasileiro, com plano de retorno definido e cronograma da tese ajustado. É comum haver dois a três meses entre a aprovação e a partida efetiva, e usar bem esse tempo para preparação prática (idioma, contatos com laboratório anfitrião, revisão do plano de trabalho) tende a produzir experiência mais bem-sucedida no exterior. Doutorandos que já passaram pelo PDSE relatam que os primeiros meses no país anfitrião costumam ser dedicados a adaptação, e produtos acadêmicos concretos (artigos, apresentações) tendem a se concentrar na segunda metade do período.