A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) fixou em 30 de setembro de 2026 o prazo final para que as instituições de ensino superior brasileiras concluam a seleção interna de candidatos ao Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) referente ao ciclo 2026/2027. Aprovados internamente farão a inscrição online no sistema da CAPES logo em seguida, com início das atividades no exterior previsto entre setembro e outubro de 2027, em universidades parceiras de diversos países.
Sobre o PDSE
O Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior é uma das iniciativas mais antigas de internacionalização da CAPES. Nele, o doutorando matriculado em programa de pós-graduação stricto sensu no Brasil realiza parte da pesquisa em uma instituição estrangeira, sob a coorientação de um pesquisador do país de destino, sem interromper o vínculo com a universidade brasileira. A modalidade fortalece a formação de pesquisadores e amplia redes de colaboração internacional, além de garantir que a tese seja defendida no Brasil, com contribuição de bibliografia, laboratórios e pesquisadores estrangeiros.
O programa é executado em conjunto com os programas de pós-graduação brasileiros, que atuam como filtro inicial e definem prioridades acadêmicas próprias, sempre em conformidade com as regras nacionais publicadas pela CAPES. Essa estrutura garante que a bolsa seja distribuída entre diferentes áreas do conhecimento e não fique concentrada em um número restrito de instituições ou temas.
Como funciona a bolsa
A bolsa PDSE cobre o período de estadia no exterior, sem substituir a bolsa de doutorado no Brasil, quando houver. O pacote financeiro é composto por mensalidade em moeda estrangeira, seguro-saúde obrigatório, adicional de instalação pago no início da estadia e auxílio-deslocamento para as passagens aéreas de ida e volta. Os valores são reajustados por portaria da CAPES e variam conforme o país de destino, refletindo diferenças de custo de vida em cidades europeias, norte-americanas, asiáticas e do restante da América Latina.
Também é importante lembrar que o pagamento é feito diretamente ao doutorando, mediante conta em nome do próprio bolsista, em moeda local ou nacional. A CAPES define regras específicas de comprovação de estadia, prestação de contas e envio de relatório final, itens que fazem parte das obrigações do bolsista ao retornar ao Brasil.
Estrutura da seleção
- Seleção interna nas IES: cada programa de pós-graduação organiza sua comissão e define critérios acadêmicos próprios, respeitando as regras gerais da CAPES.
- Prazo final da etapa interna: 30 de setembro de 2026, conforme cronograma nacional divulgado pela agência.
- Inscrição na CAPES: feita online pelo candidato aprovado, com anexação do plano de estudos, carta do orientador brasileiro e aceite da instituição estrangeira.
- Análise de mérito: comitês de área da CAPES avaliam a proposta e a produtividade do candidato, considerando o histórico acadêmico e a coerência do projeto.
- Divulgação de resultados: a partir do primeiro semestre de 2027, escalonada por chamada e por comitê avaliador.
Duração da estadia
O período usual do doutorado sanduíche é de 6 a 12 meses ininterruptos no exterior, sem possibilidade de retorno intermediário ao Brasil, salvo autorização específica em situações excepcionais. O candidato deve garantir que o cronograma proposto seja compatível com o prazo de defesa da tese e com as exigências do programa de pós-graduação brasileiro, evitando conflitos com créditos, qualificação e etapas obrigatórias no Brasil.
Boa parte dos doutorandos aproveita esse período para coletar dados que dependem de arquivos, laboratórios ou entrevistas exclusivas do país de destino, ou para produzir capítulos da tese em coautoria com o pesquisador anfitrião. Em algumas áreas, o retorno ao Brasil já com dados brutos coletados é decisivo para acelerar a conclusão do doutorado dentro do prazo regulamentar.
Quem pode participar
- Doutorandos matriculados regularmente em programa de pós-graduação stricto sensu no Brasil, avaliado pela CAPES.
- Ter concluído todos os créditos e o exame de qualificação antes da viagem, conforme regra do programa de origem.
- Comprovar proficiência no idioma do país de destino ou em inglês, conforme critérios da instituição estrangeira.
- Não ter feito doutorado sanduíche anteriormente no mesmo curso.
- Ter tempo suficiente de doutorado à frente para cumprir a estadia sem estourar o prazo de defesa.
Documentação típica exigida
- Plano de estudos detalhado, com cronograma mês a mês da atividade no exterior.
- Carta de aceite formal da instituição estrangeira, assinada pelo coorientador.
- Currículo do coorientador estrangeiro, evidenciando produção compatível com o projeto.
- Currículo Lattes atualizado do candidato brasileiro.
- Carta do orientador brasileiro justificando a relevância da estadia.
- Comprovação de matrícula, créditos e situação regular no programa.
Cronograma prático para o candidato
Para chegar preparado ao prazo final de 30 de setembro de 2026, o candidato pode organizar o cronograma pessoal em três blocos. No primeiro, ao longo do mês de agosto de 2026, é o momento de alinhar com o orientador brasileiro a viabilidade da estadia, definir a instituição estrangeira desejada e enviar o primeiro contato ao possível coorientador no exterior, com resumo do projeto e cronograma pretendido.
No segundo bloco, na primeira quinzena de setembro de 2026, o foco é obter a carta formal de aceite, revisar o plano de estudos com base nas sugestões do coorientador estrangeiro e organizar comprovantes de matrícula, histórico e Lattes atualizado. Já no terceiro bloco, na segunda quinzena de setembro de 2026, o candidato conclui a etapa de seleção interna do programa brasileiro e faz a inscrição definitiva no sistema da CAPES, respeitando o prazo nacional.
Trabalhar com essa estrutura de três blocos reduz o risco de deixar tudo para os últimos dias e ajuda a evitar problemas como resposta tardia do coorientador ou pequenos ajustes de documentação que exigem tempo para retorno da secretaria acadêmica no Brasil.
Áreas de destino mais comuns
Historicamente, doutorandos brasileiros com bolsa PDSE se concentram em universidades de países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Canadá e Austrália, mas o programa permite estadia em qualquer país onde haja instituição estrangeira reconhecida disposta a acolher o candidato. A escolha correta do destino depende menos do prestígio genérico da universidade e mais da aderência entre o pesquisador anfitrião e o projeto de tese em andamento no Brasil.
Como se inscrever
O passo inicial é procurar a coordenação do programa de pós-graduação no Brasil e verificar o edital interno, que segue as regras publicadas pela CAPES no portal oficial em gov.br/capes. Após a aprovação interna, o candidato preenche o formulário online no sistema da CAPES, com plano de estudos detalhado, aceite formal da instituição estrangeira, carta do orientador brasileiro e do coorientador no exterior. A conclusão da inscrição interna nas IES precisa ocorrer até 30 de setembro de 2026, dentro do cronograma nacional do ciclo 2026/2027.
A CAPES não aceita envio de documentos em papel nem por email, e o sistema costuma fechar automaticamente ao final do dia limite, o que reforça a importância de não deixar a inscrição para as últimas horas. Erros de anexo ou documentação incompleta podem ser motivo de indeferimento sem possibilidade de recurso, então revisar cada etapa é essencial.
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Perguntas frequentes
O PDSE substitui a bolsa de doutorado no Brasil?
Não. A bolsa PDSE é adicional e cobre apenas a estadia no exterior. Bolsistas de CAPES, CNPq ou fundações estaduais mantêm a bolsa brasileira suspensa apenas durante o período de recebimento da mensalidade internacional, conforme regras específicas de cada agência.
Preciso ter carta de aceite antes da inscrição na CAPES?
Sim. A instituição estrangeira precisa emitir carta de aceite formal indicando o coorientador e o período de recepção do doutorando. Sem esse documento, a inscrição não é homologada pela CAPES.
Qual é a duração máxima da bolsa?
O período usual é de 6 a 12 meses ininterruptos. Não é permitido dividir o período ou fazer viagens intermediárias ao Brasil sem justificativa e autorização formal da CAPES.
Posso escolher qualquer universidade no exterior?
Sim, desde que a instituição de destino seja de reconhecida qualidade acadêmica e o coorientador tenha produção compatível com o projeto. A comissão avaliadora da CAPES analisa o mérito da escolha e pode indeferir propostas que não justifiquem o benefício de sair do Brasil.
A bolsa cobre custo de dependentes?
Não. O pacote é individual e não inclui pagamento adicional para cônjuge, filhos ou dependentes. Doutorandos com família devem planejar o orçamento levando em conta despesas extras não cobertas pela agência.
O que fica
O PDSE 2026/2027 é uma das principais janelas de internacionalização do sistema público de pós-graduação no Brasil. Doutorandos interessados devem organizar em agosto e setembro de 2026 o plano de estudos, a carta do orientador e o aceite da instituição estrangeira, sob risco de perder o ciclo. A recomendação prática é começar cedo a interlocução com o pesquisador no exterior, já que a obtenção da carta de aceite costuma ser a etapa mais demorada do processo e, quando o pesquisador estrangeiro não responde a tempo, o dossiê inteiro fica inviabilizado, obrigando o candidato a esperar o ciclo seguinte da CAPES.
Também vale acompanhar em paralelo outras oportunidades como o programa do DAAD para estadia na Alemanha, cujos prazos e regras diferem do PDSE e podem se somar ao percurso de internacionalização do doutorando brasileiro, ampliando as chances de garantir apoio institucional para a temporada no exterior.