As notas de corte do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2027, previsto para janeiro de 2027, são dinâmicas e recalculadas automaticamente a cada 24 horas durante o período de inscrições, sem valor fixo publicado antes do início do processo. O Ministério da Educação (MEC), por meio do Portal Acesso Único, atualiza diariamente a última classificação suficiente para conseguir vaga em cada combinação de curso, instituição de ensino superior (IES), turno e modalidade de concorrência. Este panorama explica como o cálculo é feito, por que o corte varia tanto de um curso para outro, como os pesos por área de conhecimento influenciam a classificação e o histórico de cursos historicamente mais e menos concorridos no Brasil.

Sobre o Sisu e o conceito de nota de corte

O Sisu é o sistema informatizado do MEC que reúne, em uma única plataforma, vagas de graduação em universidades federais, institutos federais e algumas universidades estaduais e municipais que aderem ao programa. Usa a nota do ENEM mais recente como critério único de classificação, o que padroniza o processo em escala nacional. O programa é acessado pelo portal acessounico.mec.gov.br, com login gov.br.

A chamada nota de corte não é um valor definido pelo MEC ou pela universidade antes do processo. Ela é a última classificação suficiente para conseguir vaga em uma combinação específica de curso, IES, turno e modalidade de concorrência (ampla, cotas raciais, cotas de renda, cotas escola pública, PcD), com base na nota calculada pelo sistema para cada candidato inscrito naquele momento.

Como o cálculo é feito na prática

O funcionamento é o seguinte: o Sisu recebe as inscrições em janeiro de 2027, permitindo que cada candidato escolha até duas opções de curso e IES. A cada 24 horas, o sistema ordena os candidatos por nota calculada (considerando os pesos que cada IES atribui às cinco notas do ENEM, ou seja, quatro áreas de conhecimento mais redação) e identifica, para cada vaga, o candidato na última posição classificável. Essa última posição é o corte parcial daquele dia. Como candidatos entram, saem e trocam opções ao longo dos dias, o corte flutua.

Ao final do período de inscrições, o Sisu executa o cálculo definitivo, chamando os candidatos até o limite de vagas de cada combinação. O corte final, portanto, só é conhecido depois do encerramento do processo, com a publicação da lista de aprovados na primeira chamada. Notas de corte parciais servem como referência para o candidato ajustar sua estratégia, mas não garantem posição na lista final.

Modalidades de concorrência dentro do Sisu

  • Ampla concorrência: aberta a todos os candidatos, sem reserva de vagas.
  • Cotas para escola pública, com recorte de renda familiar até 1 salário mínimo per capita: para candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escola pública e cumprem o critério de renda.
  • Cotas para escola pública, sem recorte de renda: para candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escola pública, independentemente da renda familiar.
  • Subdivisões por raça (PPI): dentro das cotas de escola pública, há reserva adicional para candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas.
  • Subdivisões por deficiência (PcD): dentro das cotas de escola pública, há reserva para candidatos com deficiência.

A Lei 12.711/2012 (Lei de Cotas) é o marco legal do sistema, atualizada em 2023 pela Lei 14.723/2023. As regras específicas de cada modalidade são publicadas pelo MEC em edital de cada edição do Sisu.

Pesos por área de conhecimento variam por curso

Cada IES define, para cada curso, pesos próprios entre 1 e 4 aplicados às cinco notas do ENEM: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Redação. Esses pesos aparecem no edital de cada IES e influenciam decisivamente a nota final calculada pelo Sisu para cada candidato.

Um curso de Engenharia, por exemplo, tende a atribuir peso maior a Matemática e Ciências da Natureza. Um curso de Letras costuma atribuir peso maior a Linguagens e Redação. Isso significa que dois candidatos com a mesma nota bruta do ENEM podem ter notas diferentes no Sisu para cursos distintos, e um candidato que se destaca em Matemática pode ter corte relativamente mais acessível em cursos de Ciências Humanas com peso maior em Redação, e vice-versa. Consultar o edital da IES é passo fundamental antes de fechar a inscrição.

Histórico: cursos mais e menos concorridos

Historicamente, os cursos com maiores notas de corte no Sisu são Medicina, Direito, Engenharias, Odontologia e Ciência da Computação nas universidades públicas mais tradicionais. Medicina em instituições como Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e outras universidades federais tende a exigir notas próximas do teto do ENEM, com corte em ampla concorrência frequentemente acima de 800 pontos na nota calculada.

Vale notar que instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME) NÃO usam o Sisu como forma de ingresso, com processos seletivos próprios independentes do ENEM. Já cursos como Licenciaturas em áreas específicas, Ciências Sociais, Filosofia, Serviço Social e cursos em campi menores costumam apresentar cortes mais acessíveis, o que abre espaço para candidatos com notas medianas conquistarem vaga em universidade pública.

Cronograma estimado do Sisu 2027

  • Aplicação do ENEM 2026: em novembro de 2026, conforme edital do Inep.
  • Resultado individual do ENEM 2026: previsto para janeiro de 2027.
  • Inscrições no Sisu 2027.1: estimadas para janeiro de 2027, no Portal Acesso Único.
  • Notas de corte parciais: publicadas a cada 24 horas durante o período de inscrições.
  • Primeira chamada: prevista para janeiro de 2027, no encerramento do processo.
  • Lista de espera: em fevereiro de 2027, conforme edital do MEC.

Como usar as notas de corte parciais na estratégia

Durante as inscrições, o candidato pode trocar de curso e de IES a qualquer momento, dentro das duas opções permitidas pelo Sisu. A dica prática é acompanhar o corte parcial das opções desejadas ao longo dos dias e, se estiver com nota abaixo do corte parcial no fim do prazo, considerar trocar por opção equivalente em IES ou campus menos concorrido.

Vale lembrar que o corte parcial do último dia é o mais próximo do corte final, mas não é idêntico: pode haver ajuste na virada do prazo, quando o sistema calcula com base no total de inscritos. A estratégia mais defensiva é escolher uma primeira opção mais ambiciosa (curso desejado) e uma segunda opção mais segura (curso equivalente em IES com corte historicamente menor), o que aumenta a probabilidade de ficar dentro da chamada regular.

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Perguntas frequentes

A nota de corte do Sisu é fixa?

Não. A nota de corte do Sisu é dinâmica e recalculada automaticamente a cada 24 horas durante o período de inscrições em janeiro de 2027. Ela representa a última classificação suficiente para conseguir vaga em determinada combinação de curso, IES, turno e modalidade, e só se torna definitiva no fim do processo.

Por que dois cursos têm cortes tão diferentes?

Porque cada IES define pesos próprios, entre 1 e 4, aplicados às cinco notas do ENEM (quatro áreas mais redação) para cada curso. Um curso de Engenharia costuma dar peso maior a Matemática e Ciências da Natureza; um curso de Letras dá peso maior a Linguagens e Redação. Isso muda a nota calculada pelo Sisu para cada candidato.

Quais cursos costumam ter os cortes mais altos?

Medicina, Direito, Engenharias, Odontologia e Ciência da Computação nas universidades públicas mais tradicionais, como UFMG, USP, UFRJ, UFRGS e UnB. Medicina, em particular, tende a exigir notas próximas do teto do ENEM em ampla concorrência.

O ITA e o IME usam o Sisu?

Não. O Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME) mantêm processos seletivos próprios, independentes do ENEM e do Sisu. Candidatos a essas instituições precisam preparar prova específica, conforme editais publicados no site oficial de cada instituição.

Posso mudar de curso durante as inscrições?

Sim. Enquanto o período de inscrições estiver aberto em janeiro de 2027, o candidato pode alterar as duas opções de curso e de IES quantas vezes quiser pelo Portal Acesso Único. Só a última configuração salva antes do encerramento é considerada para o cálculo final da chamada regular.

O que considerar antes de fechar a inscrição no Sisu 2027

Antes de fechar a inscrição em janeiro de 2027, vale conferir o edital de cada IES desejada para ver os pesos por área aplicados ao curso escolhido e recalcular mentalmente a nota. Dois candidatos com a mesma nota bruta do ENEM podem ficar em posições diferentes dependendo dos pesos, e a escolha do curso pela paixão é legítima, mas deve ser cruzada com a estratégia da nota. Vale também consultar o histórico de cortes das edições anteriores no próprio Portal Acesso Único, disponível após o encerramento das inscrições dos ciclos anteriores.

Para candidatos que estão dentro do público das cotas, prestar atenção à modalidade específica é essencial. A Lei 12.711/2012, com as alterações da Lei 14.723/2023, redistribui vagas com regras próprias, e uma combinação bem escolhida (por exemplo, cotas para escola pública com recorte de renda combinadas com autodeclaração racial) pode reduzir consideravelmente o corte necessário para o mesmo curso, dentro da mesma IES. O edital do Sisu detalha essas subdivisões, e o candidato precisa marcar corretamente as opções no ato da inscrição.

Vale considerar também a lista de espera, que abre após a primeira chamada, em fevereiro de 2027, e permite manifestar interesse por vagas remanescentes. Instituições podem convocar da lista de espera diversas vezes ao longo do primeiro semestre letivo. Quem não passar na chamada regular ainda tem essa segunda janela para tentar entrar em federal ou estadual pública, sem precisar esperar o próximo ciclo do Sisu, previsto para o segundo semestre de 2027.