A pesquisa Talis 2024 (Teaching and Learning International Survey), conduzida pela OCDE com participação do Brasil, mostra que 56% dos professores brasileiros já usam ferramentas de inteligência artificial em suas práticas docentes. O dado, divulgado em 2026 e citado por especialistas como Carla Cordoaria e Fundação Lemann, evidencia adoção acelerada da tecnologia no cotidiano escolar brasileiro, em paralelo à expansão de ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini. Outra pesquisa nacional indica que 75% dos educadores veem IA como aliada, mas apenas 40% usam regularmente em sala de aula.
Sobre a Talis
A Talis (Teaching and Learning International Survey) é uma pesquisa internacional coordenada pela OCDE com aplicação periódica, voltada a entender condições de trabalho, formação e práticas pedagógicas de professores em diferentes países. A edição 2024 incluiu o Brasil entre os participantes, com amostra representativa da rede pública nacional. Os resultados são usados como base para políticas públicas educacionais.
O dado de 56% de adoção de IA por professores brasileiros é um dos destaques da edição, especialmente em comparação com adoção em outros países da OCDE, alguns abaixo dessa marca.
Como os professores usam IA
Os usos mais frequentes da IA por professores brasileiros, conforme indicações de outras pesquisas e relatos do setor:
- Planejamento de aulas: gerar planos de aula adaptados a turmas específicas.
- Criação de materiais didáticos: produzir exercícios, perguntas de prova e exemplos.
- Adaptação de conteúdos: ajustar textos para diferentes níveis de leitura e necessidades.
- Devolutivas para alunos: gerar feedback personalizado em redações e exercícios.
- Pesquisa rápida: esclarecer dúvidas e validar conceitos antes de levar à turma.
- Tradução e adaptação: trabalhar com alunos com diferentes línguas maternas.
O paradoxo da adoção
Apesar do alto percentual de uso, outras pesquisas apontam um paradoxo. Estudo recente mostra que 75% dos educadores veem IA como aliada no ensino, mas apenas 40% usam essas ferramentas regularmente em sala de aula. A diferença entre "favorável" e "uso ativo" é um dos pontos centrais para políticas públicas educacionais, que precisam combinar incentivo, capacitação e infraestrutura para fechar essa lacuna.
Desafios estruturais
A adoção de IA na escola brasileira esbarra em condições materiais. Segundo dados oficiais, 89% das escolas municipais e estaduais estão conectadas à internet, mas só 29% têm dispositivos para acessá-la. Apenas 22% da população brasileira tem acesso a internet de qualidade. Esses números limitam o uso de IA em larga escala, especialmente em regiões mais vulneráveis. Em resposta, surgem propostas como "IA desplugada" (unplugged AI), que adapta conceitos da tecnologia para contextos sem conectividade plena.
O que esperar
Para os próximos anos, especialistas projetam três movimentos paralelos. Primeiro, expansão do uso de IA por professores, com adoção massiva chegando perto da totalidade da categoria. Segundo, formação docente estruturada para uso crítico da IA, com cursos como o IA na Prática Docente do MEC pelo AVAMEC e iniciativas estaduais e municipais. Terceiro, regulamentação federal específica sobre uso de IA na educação básica, abordando privacidade de dados, plágio e equidade no acesso.
Outros cursos do estude.org sobre IA na educação
Para professores e gestores escolares:
- MEC: 20 mil vagas em IA na Prática Docente pelo AVAMEC
- Fundação Lemann e Nova Escola: avaliação de aprendizagem
- Cursos de IA aplicada
- Todos os cursos do estude.org
- Por que estudar inteligência artificial
Para acompanhar pesquisas e dados sobre IA na educação, inscreva-se no canal do estude.org no YouTube.
Perguntas frequentes
A pesquisa Talis 2024 é confiável?
Sim. A Talis é coordenada pela OCDE, organização internacional reconhecida por padrões metodológicos rigorosos. A amostra brasileira é representativa da rede pública nacional, com participação de professores selecionados estatisticamente. Os resultados são usados como base para políticas públicas educacionais.
Quais ferramentas de IA os professores mais usam?
As pesquisas indicam predominância do ChatGPT, seguido por Gemini, Claude e ferramentas integradas a plataformas educacionais como Khan Academy e Nova Escola. A variedade é grande, com escolha frequente baseada em familiaridade do professor e adequação ao contexto pedagógico.
Uso de IA por professores é ético?
Depende do uso. Empregar IA para apoiar o trabalho docente (planejar aulas, gerar exercícios, esclarecer dúvidas) é amplamente considerado ético e construtivo. Usar IA para produzir aulas sem qualquer revisão pedagógica é mais problemático e exige cuidados de validação. As escolas e secretarias começam a publicar orientações específicas sobre o tema.
A IA pode substituir professores?
Não no curto e médio prazo. A função pedagógica do professor combina conhecimento técnico, mediação humana, vínculo com alunos e tomada de decisão complexa, áreas em que a IA tem limitações claras. O uso atual da IA é como ferramenta de apoio, não como substituta da prática docente.
Existem cursos gratuitos para professores aprenderem a usar IA?
Sim. O MEC oferece o curso Inteligência Artificial na Prática Docente pelo AVAMEC, com 80 horas, gratuito e certificado oficial. Secretarias estaduais como a de São Paulo oferecem formações próprias. A Fundação Lemann, a Nova Escola e parceiros mantêm cursos gratuitos sobre tecnologia educacional, também com certificado.
O que considerar
Os dados da Talis 2024 confirmam que o Brasil entrou de forma consistente na era da IA na educação básica. Para professores, é momento de qualificação estruturada para uso crítico da tecnologia. Para gestores, é necessidade urgente de definir políticas claras sobre uso, privacidade e plágio. Para famílias, vale dialogar com a escola sobre como a tecnologia entra no cotidiano dos alunos. O letramento digital com IA passa a ser parte central da formação para o século XXI, em todos os níveis da educação.